quarta-feira, 16 de junho de 2010

Entrevista com pesquisadores das redes sociais

Hoje no BLOG, irei postar uma matéria publicada no site Planeta Sustentável,
contendo uma entrevista com dois estudiosos da área de redes. É interessantíssimo e serve para nos aprofundarmos mais no tema.


O futuro são as redes distribuídas

A conferência Redes Sociais e Sustentabilidade, que aconteceu no dia 20 de junho, após o término do Global Forum América Latina, contou com a presença do economista David de Ugarte, integrante da Sociedad de las Indias Eletrónicas – consultoria especializada em redes sociais –, e do físico e cientista político Augusto de Franco.

Os especialistas falaram sobre a importância de nos organizarmos em rede se quisermos alcançar o desenvolvimento – considerado por eles como sinônimo de sustentabilidade.

Augusto de Franco começou afirmando que tudo o que é sustentável possui a estrutura de redes. A premissa para que um sistema sobreviva é a sua capacidade de conservar as adaptações que faz. Ele também acredita que não é à toa que a idéia de sustentabilidade tenha sido inicialmente relacionada ao aspecto ambiental, já que os grandes exemplos bem sucedidos de sustentabilidade estão na natureza.


Nosso desafio atual é ampliar a dimensão da sustentabilidade para as esferas social e econômica. David de Ugarte defende que a relação entre a humanidade e o meio ambiente é uma projeção do tipo de relação que existe entre as pessoas. Por isso, a sustentabilidade deve ir além da preservação de matérias-primas e se tornar o objetivo dos indivíduos e das organizações, de modo que haja liberdade e democracia em todo lugar.

“Não adianta salvar o meio-ambiente natural, se não salvarmos o social”, diz Augusto de Franco. Ele argumenta que a biosfera tem sua própria capacidade reguladora e já está se virando para se salvar. Assim, o ser humano – que não é uma parte significativa do ponto de vista da biologia da evolução – é que está em risco.

Ao falar sobre a necessidade de preservarmos nossa existência, Augusto provocou: “Devemos encarar a vida como um valor principal, mas não como o único. Para os humanos sobreviverem fazemos qualquer negócio? Precisamos nos adaptar às mudanças sem perder o que construímos: a sociedade, as comunidades, o voluntariado, a cooperação, o agir gratuitamente. Somos humanos e humanizantes do planeta. Eu não gostaria de viver num mundo onde esses valores não existissem”.

David afirma que é impensável falar em sustentabilidade em países não democráticos, assim como em modelos de sociedade patriarcais e machistas. O sistema educacional atual não pode ser chamado de sustentável, tampouco o sistema energético, independentemente das matérias primas utilizadas, pois ainda não está a serviço do desenvolvimento da sociedade.

As empresas, normalmente monárquicas, também vão precisar alterar suas estruturas se quiserem ser sustentáveis. Uma empresa sustentável, para David de Ugarte, é aquela capaz de criar um âmbito deliberativo e democrático em seu interior. “A história da humanidade é marcada pela luta contra os nodos centralizadores, que são um peso para a sociedade e acabam caindo. Precisamos entender que os nodos não podem ser insubstituíveis. Tudo o que gera dependência é insustentável”.

Ugarte acredita que, nos anos 90, dois processos começaram a romper a perspectiva de centralização e promover a articulação em redes: o avanço da internet e o surgimento das novas democracias do leste europeu, de Taiwan e da Coréia do Sul, que adquiriram conhecimento e uma enorme capacidade exportadora. O que lhes confere, atualmente, níveis de desenvolvimento humano iguais ao da Espanha e superiores aos da Grécia e de Portugal.

Ele conta que quando se pensou a internet e a própria arquitetura da rede, havia três possibilidades para construí-la:

Rede centralizada – com um nodo central, todas as ramificações dependeriam dele. Se esse nodo caísse, toda a rede ficaria comprometida.
Rede descentralizada – mesmo que o modelo parecesse mais eficiente que o primeiro, com vários nodos centralizando partes da rede, ainda não se tratava de uma solução interessante, já que cada parte continuaria dependendo de seu nodo central.
Rede distribuída – sem nodos centrais, e com os pontos se ligando diretamente uns aos outros, se um deles cai, a informação pode chegar através de outros pontos e não há prejuízo para o sistema.

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_284715.shtml
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André Miranda
Agente Comunicador

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