Hoje no BLOG, irei postar uma matéria publicada no site Planeta Sustentável,
contendo uma entrevista com dois estudiosos da área de redes. É interessantíssimo e serve para nos aprofundarmos mais no tema.
O futuro são as redes distribuídasA conferência Redes Sociais e Sustentabilidade, que aconteceu no dia 20 de junho, após o término do Global Forum América Latina, contou com a presença do economista David de Ugarte, integrante da Sociedad de las Indias Eletrónicas – consultoria especializada em redes sociais –, e do físico e cientista político Augusto de Franco.
Os especialistas falaram sobre a
importância de nos organizarmos em rede se quisermos alcançar o desenvolvimento – considerado por eles como sinônimo de sustentabilidade.
Augusto de Franco começou afirmando que
tudo o que é sustentável possui a estrutura de redes. A premissa para que um sistema sobreviva é a sua capacidade de conservar as adaptações que faz. Ele também acredita que não é à toa que a idéia de sustentabilidade tenha sido inicialmente relacionada ao aspecto ambiental, já que os grandes exemplos bem sucedidos de sustentabilidade estão na natureza.
Nosso desafio atual é ampliar a dimensão da sustentabilidade para as esferas social e econômica. David de Ugarte defende que a relação entre a humanidade e o meio ambiente é uma projeção do tipo de relação que existe entre as pessoas. Por isso, a sustentabilidade deve ir além da preservação de matérias-primas e se tornar o objetivo dos indivíduos e das organizações, de modo que haja liberdade e democracia em todo lugar.
“Não adianta salvar o meio-ambiente natural, se não salvarmos o social”, diz Augusto de Franco. Ele argumenta que a biosfera tem sua própria capacidade reguladora e já está se virando para se salvar. Assim, o ser humano – que não é uma parte significativa do ponto de vista da biologia da evolução – é que está em risco.
Ao falar sobre a necessidade de preservarmos nossa existência, Augusto provocou: “Devemos encarar a vida como um valor principal, mas não como o único. Para os humanos sobreviverem fazemos qualquer negócio? Precisamos nos adaptar às mudanças sem perder o que construímos: a sociedade, as comunidades, o voluntariado, a cooperação, o agir gratuitamente. Somos humanos e humanizantes do planeta. Eu não gostaria de viver num mundo onde esses valores não existissem”.
David afirma que é impensável falar em sustentabilidade em países não democráticos, assim como em modelos de sociedade patriarcais e machistas. O sistema educacional atual não pode ser chamado de sustentável, tampouco o sistema energético, independentemente das matérias primas utilizadas, pois ainda não está a serviço do desenvolvimento da sociedade.
As empresas, normalmente monárquicas, também vão precisar alterar suas estruturas se quiserem ser sustentáveis. Uma empresa sustentável, para David de Ugarte, é aquela capaz de criar um âmbito deliberativo e democrático em seu interior. “A história da humanidade é marcada pela luta contra os nodos centralizadores, que são um peso para a sociedade e acabam caindo. Precisamos entender que os nodos não podem ser insubstituíveis. Tudo o que gera dependência é insustentável”.
Ugarte acredita que, nos anos 90, dois processos começaram a romper a perspectiva de centralização e promover a articulação em redes: o avanço da internet e o surgimento das novas democracias do leste europeu, de Taiwan e da Coréia do Sul, que adquiriram conhecimento e uma enorme capacidade exportadora. O que lhes confere, atualmente, níveis de desenvolvimento humano iguais ao da Espanha e superiores aos da Grécia e de Portugal.
Ele conta que quando se pensou a internet e a própria arquitetura da rede, havia três possibilidades para construí-la:
Rede centralizada – com um nodo central, todas as ramificações dependeriam dele. Se esse nodo caísse, toda a rede ficaria comprometida.
Rede descentralizada – mesmo que o modelo parecesse mais eficiente que o primeiro, com vários nodos centralizando partes da rede, ainda não se tratava de uma solução interessante, já que cada parte continuaria dependendo de seu nodo central.
Rede distribuída – sem nodos centrais, e com os pontos se ligando diretamente uns aos outros, se um deles cai, a informação pode chegar através de outros pontos e não há prejuízo para o sistema.
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_284715.shtml
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André Miranda
Agente Comunicador